sexta-feira, 17 de abril de 2020

“Controlar a boca”: um desafio para além da Pandemia


Quando se tem facilidade para ganhar peso, ou uma condição de saúde específica, a dieta e a reeducação alimentar são presença garantida nos desafios cotidianos dessas pessoas.


Porque desafios? Por que realmente controlar a boca, o estômago, o apetite, nem sempre é tão fácil quanto se imagina. 


Você passa na padaria para comprar um queijinho branco, se depara com toda uma variedade de guloseimas te chamando no mostrador, sempre muito sedutoras, com enfeites de chocolate, canela, cerejas, cremes, enfim, levando a pensar: “por que não? ”, a agir comprando aquele monte de delícias, um refrigerantezinho para acompanhar, chega em casa e devora, nem lembrando mais do queijinho branco saudável.


No outro dia, a culpa, o arrependimento, o resultado na balança. Como já engordou mesmo, para que continuar em dieta? Já que tem aquela lata de leite condensado ou aquele pedaço de bolo sobrando em casa... manda ver. Assim, um ciclo vicioso de sentimentos ruins e guloseimas para “se sentir melhor” se instala na vida da pessoa, tornando o emagrecer ou o controle de taxas algo muito difícil de se conseguir, a cada bocada.


Sem excluir a importância de se procurar um bom nutricionista, para auxiliar na organização do que se vai comer no seu cotidiano, procurei algumas estratégias que a terapia cognitivo comportamental nos oferece, para lidar com esses desafios, esse ciclo vicioso:


Judith Beck[1], primeiramente defende que:


“...comer não consiste em uma ação automática. ” 


Ou seja, se você acha que não tem controle sobre sua ação de comer, você pode estar enganado. Segundo Judith, “você decide comer” e “você pode ter mais controle sobre suas ações alimentares. ”


Olha que notícia “péssima” e boa ao mesmo tempo! “Péssima” porque precisamos nos responsabilizar pelo que estamos comendo e bebendo ultimamente. Boa, porque somos capazes de controlar o que comemos.


Judith vai além: “Talvez você não tenha consciência, mas sempre há um pensamento que precede o ato de comer”. Sim gente! Temos pensamentos ditos “sabotadores” que te “dão permissão” para seguir em frente e continuar comendo fora da sua dieta ou educação alimentar.



É aquele que vem na sua cabeça dizendo “só mais um quadradinho de chocolate” e você não resiste e come a barra toda.


Judith também diz que você começa uma argumentação interna, quando segue um plano alimentar, e cria um “debate interno entre pensamentos sabotadores e pensamentos funcionais” que “faz você se sentir tenso”. “A tensão é desagradável. Muitas vezes, você tentará aliviar a tensão comendo. ”


Entretanto, ela também diz: 


“Da mesma forma que a decisão de comer pode reduzir a tensão, a decisão de não comer também pode. ”


Se pararmos para pensar, é só uma questão de “hábito de pensamento” para a resolução de tensão interna, ou seja, se você sentir aquele desconforto antes de comer alguma coisa, opte por não comer e fortaleça sua decisão de resistir, pois, uma vez que se começa a resistir, vai se tornando mais simples resistir da próxima vez, relata nossa especialista.


Então, “bora” começar a identificar esses pensamentos sabotadores e lutar contra eles com pensamentos funcionais? Vale tudo, criar um caderno de pensamentos, usar aplicativo de anotar pensamento, falar o pensamento em voz alta, mas crie formas de recusar essas guloseimas da padaria e seguir com seu queijinho branco magro, que também pode ser delicioso.



[1] Beck, Judith S. Pense Magro: a dieta definitiva de Beck – Porto Alegre: Artmed, 2009.

Nenhum comentário:

Postar um comentário