(texto inspirado por Luiza)
Se você é daqueles que sempre tem algo em você que te
incomoda, pode ser para você esse texto. Sim, não sei se você se dá conta, mas
somos eternos “achadores de defeitos” em nós mesmos. Tanto defeitos físicos,
quanto de desempenho intelectual ou social.
Tudo isso, se você parar para pensar, tem várias causas.
Depende da experiência de vida de cada um: se você sofreu discriminação no
passado ou teve pessoas próximas muito exigentes, isso pode ter colaborado e
muito para seu “radar de autodefeitos”.
Entretanto, não podemos esquecer dos padrões de beleza e
sucesso que mídia nos impõe incessantemente. Seja na novela da TV, seja na
mídia social, na propaganda de panfleto, estamos recebendo referências de
“modos de ser” considerados, de alguma forma “fórmula de felicidade”.
Parece que hoje, para ser bem-sucedido, é preciso ser tudo:
bonito, inteligente, carismático, simpático, com bastante seguidores, corpinho
no padrão, amar o próprio corpo, tem que saber fotografar, ser fotografado, se
fotografar, tem que cuidar perfeitamente da saúde, dos filhos, saber filmar,
ser filmado, se filmar, saber referências de filmes, livros, músicas e séries
das mais diversas, escrever bons roteiros, bons textos, além de desempenhar bem
o seu trabalho, as pessoas precisam gostar do que você faz e te avaliar bem,
precisa ter um relacionamento amoroso bem visto, bem resolvido... enfim, a
lista é interminável!!!
Diante disso tudo, como não se sobrecarregar de faltas?
Praticamente impossível. Como você compensa essas faltas? Buscando esses
padrões inatingíveis? Consumindo produtos variados? Desde o chocolate e sorvete da depressão até
a academia top da energia alta, tudo é consumo em busca dessa “fórmula da felicidade”.
O primeiro passo talvez seja reconhecer que nem sempre o
problema está em você. Tomar consciência da exigência externa em determinados
contextos é essencial. Porque assim você consegue entender que não é sua falta,
mas um padrão ou uma exigência que não é sua que se coloca por algo que é
externo.
Outra coisa, aprenda a amar-se
do jeito que você é, mesmo tendo coisas que você acha que precisa melhorar.
Melhore o que é viável, possível, e o que não é, neste momento, não transforme
numa fonte de sofrimento.
Então eis o grande desafio que se coloca nesse texto: se amar.
Desde já, coloco que não tenho soluções prontas para seu
processo, cada um tem uma história de vida, tem um conjunto de experiências que
precisa (caso deseje) trabalhar internamente, de diferentes formas. O que posso
fazer é pesquisar algumas dicas em alguns livros que li e dar umas ideias para
que você comece a ganhar autoconsciência.
Então, vou propor um exercício (dentre vários que existem e
podem ser usados para essa finalidade) que inventei a partir daqueles livros.
Preciso que para esse, você disponha de papéis, caneta, lápis,
lápis de cor ou canetinha e quaisquer outros recursos artísticos que te
facilitam expressão. Esse exercício será composto de 2 fases, cada uma com duas
tarefas, ou seja, vai levar um tempinho.
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Deixo aqui claro que pessoas que estão
em crise ou com transtorno grave não devem fazer esse exercício e procurar
profissionais (psiquiatra e psicólogo) para ajudá-lo urgentemente.
Fase 1 – Lidando com
“o pior” de si.
- Num papel – escreva todas as palavras consideradas ruins, coisas que não gosta em você, que você costuma pensar sobre si mesmo, além das palavras que talvez proferem para você.
- Depois disso, num papel (ou em qualquer outro recurso artístico) escreva, ou desenhe, modele, expresse as emoções que vieram ao escrever essas palavras. Observe um pouco essas emoções e como elas ganham forma para você. Se puder, compartilhe essas observações com pessoas próximas ou até seu psicoterapeuta.
Fase 2 – Procurando
seu melhor
- Com base naquele primeiro papel, o qual agora pode ser devidamente rasgado e descartado, vamos tentar buscar palavras boas, elogios que você guarda para você, coisas suas que te agradam, pode ser uma parte do corpo, uma característica da personalidade, qualquer coisa. Faça uma lista, tenho certeza que é possível, faça um esforço.
- Leia sua lista. Noutro papel expresse a emoção que sua lista traz para você e compartilhe, se quiser com pessoas de confiança.
Para que tudo isso? Para que você talvez perceba que são
palavras, pensamentos e emoções que constroem como você se sente a seu
respeito. Talvez se amar seja possível se você acessar o que você tem de legal
em detrimento da autocrítica e da crítica de certas pessoas.
Olhe as expressões, compare-as, tome um pouco de consciência
de como você trata e tem tratado você mesmo. Talvez seja um começo. Um primeiro
passo para o autocuidado, para a autoestima e para autoconfiança.
Bem, espero que tenha ajudado, quem tentou, fique à vontade
de compartilhar o que achou nos comentários. Também aceito sugestões de
leituras e técnicas sobre esse assunto nos comentários, fiquem livres para
enriquecer nosso texto.
Bibliografia:
Salomé, Jacques. Caderno
de exercícios para aprender a amar-se e, por que não? Ser amado (a). Petrópolis,
RJ: Vozes, 2014.
Marrez, Anne. Caderno
de exercícios para aceitar o próprio corpo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2015.
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